quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dispenso cortesia hoje. 
Vou me permitir ser verdadeira, 
sem meias palavras.
Quero usar todas!
Sem pontos. 
Sem vírgulas. 
Deixar que a saliva seque 
Ah! Que o coração palpite. 
Vou arrancar todos os nós da garganta. 
Libertar minh'alma 
deixa-la leve, 
sem peso 
sem obrigação 
sem ser racional 
apenas fluindo. 
Sentindo. 
Vivendo. 


 (Marina B.)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Replay.

Era a noite mais fria do ano, pelo menos foi isso que a moça do tempo falou na TV. Mas eu não sentia frio. Meu corpo estava quente! Graças a uma garrafa de conhaque que bebi toda em 7 copos.7 copos!
Há 7 dias eu tinha encontrado um velho livro da Woolf, e muito mais que da primeira vez ele me tocou, uma semana passou e ele ainda puxava meu corpo pro fundo do rio; beber foi agradável, mesmo que rasgasse a cada gole a bebida ia deixando tudo mais interessante, dava pra ver o dia passar devagarzinho, sentir o gosto dele quando esteve em minhas mãos, minha pele sentia mais, dormente sentia muito mais, e tudo era mastigável.
Olhei no espelho e vi uma mancha vermelha na blusa, mas tanto faz, poderia a blusa estar encharcada que eu iria sair mesmo assim, a casa era confortável, mas a rua era tentadora.
Atrás do sofá sempre encontro uns trocados, dessa vez, além de migalhas achei um batom. Passei. Nunca uso batom, talvez até pudesse estar borrado.
Passo 7 vezes o batom.Tranco 7 vezes aporta.São 7 passos no corredor até a rua. Não sei se era a embriaguez, mas a lua estava provocante que quase propositalmente me levou ao chão, era um exorcismo.
Foram 7 quarteirões até me dar conta de que estava naquela praça, ao pé daquele banco, em frente àquela casa pintada do amarelo que escolhemos e hoje desbota no meio de pichações. O gosto do conhaque veio à boca, tão subitamente quanto as lembranças que me enchiam a cabeça e se misturavam com o álcool, o perfeito coquetel da estupidez, foi isso, eu sei que foi isso que me fez pensar em bater na porta. Mas o que diabos me levava a crer que você talvez quisesse me ver? Ou estivesse ainda só, a minha espera? Logo você tão gentil, tão acessível, tão engraçado, com aquele sorriso desalmado que ganha qualquer um, que sempre tem tudo e todos ao seu alcance, mesmo não querendo. Ai que estúpida fui pra bater naquela porta! Só pra te ver assim: FELIZ! Foram 7 segundos até eu arquitetar o plano de fuga: correr. Só ouvi meu nome uma única vez, um único grito e NENHUM passo, e NENHUM mínimo movimento. Senti no peito teu  olhar, tua barba feita, teu sorriso fácil, tua pele até mais corada, já que agora não tinha eu pra você se preocupar. E eu corria, entre tardes de domingo, Bertolucci, Hitchcock, garrafas, e eu corria pela discografia do Pink Floyd, Kundera, e eu corria com raiva de toda aquela felicidade. Parei. Jorrava algo dos meus olhos, por um segundo até poderiam ser lágrimas, mas era apenas a chuva de Setembro.

(Marina & Alba)

Ps.: conto já publicado no blog, só por que vale a pena ser relido.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Melhor

Toda vez que seus olhos encontravam os dele, era festa dentro do seu peito. Podia o mundo todo acabar naquele momento, que por nenhum segundo que fosse seus olhares se desviariam. Esse era um daqueles momentos, simples, que ela gostava de compartilhar com ele, assim como caminhar de mãos dadas por aí, sem rumo, ou conversar sobre coisas banais, ou quando ficavam deitados, na cama, (momentos como esses pedem cigarros!, pensava!), ouvindo blues. O silêncio, entre os dois, era sempre bem-vindo, não era um daqueles silêncios que incomodavam, era até confortável, e era nesses momentos que as dúvidas consumiam seus pensamentos. Ela queria sempre dar o seu melhor para ele, mas não sabia se era capaz de tal, não sabia se o que ela dava era o suficiente para ele . Mas mesmo com todas essas duvidas uma coisa era certa: ela o amava! Um amor novo, diferente de tudo que viveu e que poderia vim a viver, todos os dias descobria-se mais e mais apaixonada. Sentia-se a pessoa mais frágil do mundo, por perder completamente o controle sobre si quando estava com ele, mas sentia-se também a mais forte, por saber que nada, naquele momento, poderia atingir-lhe. Sabia que havia ali, entre os dois, algo grande, tão grande que só os dois, como quem sente tal sentimento podiam com certa precisão medir-quantificar-precisar, só não sabia como expressar tudo aquilo, as palavras quando são para serem ditas, não saem, prendem, sufocam, não saem! E ela já havia aprendido, que amar é se expor, se despir, torna-se explícito, se arriscar e sentir medo, mas sobretudo ser feliz e isso ela sabia fazer bem, ser feliz em cada momento, cada sorriso dele, cada toque, cada saudade, felicidade enfim!

Marina B.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

temporal

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fazia tempo
que eu não me sentia
tão sentimental







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segunda-feira, 16 de maio de 2011


Eu tento
Corro luto invento
Desculpas.
Faço de um tudo, fujo com medo.
Medo de tentar,
Medo de entregar.
Penso... Penso... Digo que não.
Mas não consigo parar de pensar...
É tarde. Não dá pra voltar atrás.
Nem mudar o que já está escrito.
Não faço idéia de onde vou.
Mas
Vou com você!





domingo, 1 de maio de 2011

Era um vez um haikai... que não deu certo.

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o corpo quer
o coração entende
menos carne...

mais alma.




Marina B.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sozinho com todo mundo



a carne cobre os ossos
e eles colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
demais
e ninguém encontra o
par ideal
mas seguem na
procura
rastejando pra dentro e pra fora
das camas.
a carne cobre
os ossos e a
carne busca
muito mais do que mera
carne.

de fato, não há qualquer
chance
estamos todos presos
a um destino
singular.

ninguém nunca encontra
ninguém.

as lixeiras da cidade se completam
os ferros-velhos se completam
os hospícios se completam
os túmulos se completam

nada mais
se completa.


Charles Bukowski  (com adaptações)

sábado, 26 de março de 2011

Theres a Light That Never Goes Out









"Take me out tonight
Where there's music and there's people
Who are young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore..."

Tempos difíceis esses:

Em que o papel implora ao lápis só um pouco de poesia.

A boca sente sede da saliva.

O corpo treme de frio à espera do abraço.

E o coração...

... Esse nem bate, que é pra não gastar sentimento, esperando por amor.





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domingo, 13 de março de 2011

grande sertão






felicidade
é encontrar veredas
onde só tem espinhos.







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