Hoje quero falar sobre a minha semana:
Essa semana fiz mais trabalhos do que queria, por que como sempre, deixei pra ultima hora do ultimo dia. Essa semana dormi mal. Essa semana prometi levar mais à sério o meu curso, a faculdade, a minha vida. Essa semana me senti medíocre. Essa semana não bebi, não fui a nenhum bar, justamente pra não beber. Essa semana prometi a mim mesma que não iria mais beber.Essa semana recebi uma mensagem dele. Ele nem sabe, mas ainda gosto dele. Ainda me pego imaginando como seria se desse certo. Ainda me pego imaginando a casa de janelas azuis e o pé de manga aos fundos. Essa semana senti muito frio. Essa semana deixei o arroz queimar. Essa semana ele ainda insistiu em dizer que gosta de mim. Essa semana desejei que ele sumisse. Essa semana quis muito me apaixonar por alguém. Queria gostar mais de alguém do que gosto de mim mesma. Essa semana encontrei vários possiveis candidatos a pai dos meus filhos, daqueles que contariam sobre como era bom a época em que éramos jovens e iamos a shows de bandas alternativas, que diriam que na nossa época o mundo era mais seguro e as crianças mais inocentes, daqueles que colocaria as crianças pra dormir e me daria um beijo de boa noite. Essa semana me senti só. Essa semana conversei com pessoas muito mais inteligentes que eu. Essa semana ouvi uma musica da minha futura banda. Essa semana quis ligar pra ele. Essa semana senti ciúmes de alguém que eu não deveria sentir ciúmes. Essa semana tentei me convencer de que ainda não gosto dele e que sentir ciumes dele é portanto absurdo. Essa semana faltei o dentista. Essa semana senti dores nos pés. Essa semana perdi o ônibus e por isso fiquei uma hora a mais na parada. Essa semana dei o lugar a uma mulher com uma criança e me senti superior as outras pessoas-malvadas-que-não-dão-lugar do ônibus. Essa semana acertei um pergunta que o professor fez. Essa semana prestei atenção em uma aula inteira. Essa semana descobri que Radiohead faz muito mais sentido do que eu imaginava pra mim. Essa semana matei uma aula. Essa semana senti muito frio. Essa semana comi como deveria. Essa semana meu pai se comportou. Essa semana minha cachorra teve filhotes. Essa semana fiquei sem dinheiro. Essa semana quis falar eu te amo pra alguém. Essa semana chorei por dentro. Essa semana sorri mais que o normal. Essa semana senti saudades.Essa semana torci muito vendo futebol. Essa semana o Brasil jogou bem. Essa semana criei outro blog. Essa semana descobri The Whitest Boy Alive. Essa semana dancei na frente do espelho. Essa semana comi no RU. Essa semana fui ao show da Nação Zumbi e foi lindo. Essa semana senti muito frio.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
Fando e Lis

Brinquemos
- Se sou um grande pianista...
- Se és um grande pianista e te corto um braço. Que fazes?
- Me dedico a pintura.
- Se és um grande pintor e te corto outro braço. Que fazes?
- Me dedico a dança.
- Se és um grande dançarino e te corto as pernas. Que fazes?
- Me dedico ao canto.
- Se és um cantor e te corto a garganta. Que fazes?
- Se estou morto quero que com minha pele se fabrique um bonito tambor.
- E se eu queimo o tambor. Que fazes?
- Me transformo em uma nuvem que tome todas as formas.
- Se a nuvem se dissolve. Que fazes?
- Me converto em chuva e faço com que nasçam todas as guerras.
- Ganhaste... Sentirei-me muito só no dia em que não estejas.
- Se algum dia se sentir só, busca a maravilhosa cidade de Tar.
Tar
Houve uma vez, há muito tempo, uma cidade maravilhosa chamada Tar. Nessa época todas as nossas cidades estavam intactas. Não havia ruínas porque a guerra final ainda não tinha começado.
Quando aconteceu uma grande catástrofe: todas as cidades desapareceram. Menos Tar.
Tar ainda existe. Se souberes buscá-la, a encontrarás.
E quando chegares a Tar a gente te trará vinho e água e poderás brincar com uma caixa de música que tem manivela. Quando chegares a Tar ajudarás na colheita da uva e pegarás o escorpião que se oculta debaixo da pedra branca. Quando chegares a Tar conhecerás a eternidade e verás o pássaro que a cada cem anos bebe uma gota de água do oceano. Quando chegares a Tar compreenderás a vida e serás gato e fênix e cisne e elefante e criança e ancião e estarás só e acompanhado e amarás e serás amado e estarás aqui e lá e possuirás o selo dos selos.
E, na medida em que caias em direção ao futuro, sentirás que o êxtase te possui para não deixar-te mais.
Quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra “liberdade”.
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P.s.: O texto em original é em espanhol, e foi retirado do filme Fando e Lis. Um filme mexicano do diretor Alejandro Jodorowsky.
P.s.²: Traduzido e indicado pela Amanda Apen. (valeu Amanda!)
P.s.³: Mais informações do filme clique aqui.
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
domingo, 6 de junho de 2010
Título

Ainda sujos, acendo o décimo cigarro.Você prefere o uísque que achou no fundo de um velho armário. Olhando para o teto, discutimos cinema, música, filosofia. Tento te convencer do anarquismo. Você me fala sobre almodovar. Acho que nem em dez anos te conheceria tão bem quanto te conheço agora. Nós dois, aqui, nesse quarto de hotel, parecendo dois marginais. Rindo do mundo. Rindo dos que pensam que são felizes. Rindo da fatalidade que é viver. Percorro teu corpo, afim de te encontrar. nos teus pulsos vejo as cicatrizes da tua história, marcas de quando ainda se podia ser inocente. Você se esconde em mim. Dentro de mim. Conto as horas em cada gota de suor que escorre do teu rosto. Nossos rostos. Nossas bocas. Nossos corpos. Nada nos pertence mais, fazemos parte de uma abstração do tempo, um sopro pincelado num quadro daqueles que você sempre gostou, e eu nunca dei tanto valor, me fecho em magritte. As horas continuam a passar em meio ao desejo. Desejo, posso senti-lo, posso até tocá-lo.Você sabe que eu gosto dessa jaqueta, você só a vestiu para me provocar, o seu hálito de uísque faz tanto efeito quanto o seu olhar, eu realmente poderia passar dias tentando desvendar o que existe por trás deles. Entre nós não existe MAIS e MENOS , ou pelo MENOS é isso que eu tento demonstrar enquanto rio das suas peripécias tão MAIS interessantes que as minhas. Sentada à beira da cama, percorro com os olhos o lençol de renda. Te fito. Sinto uma saudade do que ainda nem fizemos, do que ainda nem dissemos a me consumir, agora que você não é mais meu. Vou até a janela, garoa lá fora. Um frio me arrepia à espinha. Acendo o ultimo cigarro da carteira, tomo a ultima dose pra me manter aquecida. Tenho um longo caminho até chegar em casa. Até lá vou tentando esquecer a cota do dia de você.
(Alba Tereza & Marina Borges)
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Suspiro de conto!
Naquele dia, o caminho da sala até o quarto nunca pareceu tão longo. A escada nunca teve tantos degraus. O tempo nunca passou tão devagar. Havia ali, no ar, qualquer coisa. Qualquer coisa diferente no olhar dele. Qualquer coisa diferente naquelas mãos, frias. Qualquer coisa diferente no jeito como ele se sentou na beradinha da cama, como se ele estivesse numa casa estranha e por respeito não se espalhou por ela. O tom de voz que ele escolheu, eu diria que foi, no mínimo apropriado, algo que lembre aquelas cenas dos filmes de suspense, quando a gente sabe que a qualquer momento a gente vai levar um susto. Era aquela voz, a mesma voz que ele usou pra me dizer que sem querer quebrou o vaso que a minha mãe havia me dado, e que, por coincidência, ele sempre achou um horror. Sentei naquela cama e sentia meu coração batendo frenéticamente a uns 200 batimentos por minuto. Segurei sua mão e o encarei. Ele levantou a cabeça, mas não conseguia me olhar, olhou o tempo todo para o meu pé, mais especificamente pra pantufa de zebra que ele me deu no meu aniversário e que eu usava só pra agradá-lo, já que me sentia num safári quando estava com elas. Apertei com força sua mão e disse que não precisava ter medo e que podia me contar o que fosse. Quando ele disse as primeiras frases “Eu não te amo mais.”, ”Eu estou saindo de casa”, “Eu amo outra pessoa”. Senti como se um cavalo tivesse dado um coice no meu estômago e depois sapateado em cima mim. Perguntei como era possível, assim do nada, ele deixar de me amar? Não haviam aparecido ainda os tais ‘sintomas do fim da relação’ que minhas amigas sempre me falaram: nada de rotina, nem tédio, ele nunca nem falou mal da minha mãe, não reclamou que eu tava ficando gorda ou feia ou velha, nunca falou que minha comida era uma gororoba, apesar de ser uma gororoba. Como de uma hora pra outra ele simplesmente vira pra mim e diz que não me ama mais? Ele não se defendeu nem se explicou, apenas levantou-se, tirou a mala já pronta debaixo da cama. Sim meus caros, a mala já estava ali pronta, filho da puta, então foi tudo premeditado, tudo friamente calculado. Ele saiu, não olhou pra trás nem pra conferir se eu tava tendo um ataque cardíaco, ou se eu tava pegando uma arma na gaveta da cômoda. Nada. Virou as cotas e saiu. Fiquei ali sentada por horas. Chorei até ficar sem lágrimas. Me perguntando o por que. Estávamos juntos havia muito tempo, um tempo suficiente para sabermos que era pra sempre, não pensavamos em casamento, dizíamos que seriamos eternos namorados. Eu sabia de cor, cada mania, cada gesto, cada ruga do seu belo rosto, sabia de todas as cicatrizes, dos seus gostos mais exóticos. Tudo. Éramos felizes. EU era feliz. ELE não.
Marina Borges
Marina Borges
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Máquina de Escrever - Pedro Luís e a Parede

Meu coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões
Pra ler um verso, ouvir, escutar
Meu coração falar
Até se calar a pulsação
Meu coração é uma máquina de escrever
No papel da solidão
Meu coração é
Da era de Guttemberg
Meu coração se ergue
Meu coração é
Uma impressão
Meu coração
Já era
Quando ainda não era
A palavra emoção
Mas há palavras no meu coração
Letras e sons
Brinquedos e diversões
Que passem as paixões
Que fiquem as canções
Nos poemas, nos batimentos
Das teclas da máquina de escrever
Meu coração é uma máquina de escrever
Ilusões
Meu coração é uma máquina de escrever
É só você bater
Pra entrar na minha história
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
domingo, 16 de maio de 2010
Aonde anda a minha Tereza...

Por enquanto ainda te amo
sentanda nessa mesa, só, ainda te amo
ontem eu olhei para o céu
e não vi estrelas
mas ao contrário do que você me disse
o céu não desabou
os raios estavam lá
as nuvens estavam lá
mas mesmo assim, teimoso, o céu não desabou
você me disse pra não ter medo
e com o orgulho no chão, te pedi pra ficar
e com a alma na mão, pedi ao céu que não desabe mais.
(Marina Borges)
P.s.: Essa semana comprei um vinil lindo do Jorge Ben Jor e por um precinho ótimo!
P.s².: Música do Jorge Ben pra hoje, Alcohol.
P.s³.: Agora ando aspirando e suspirando algumas coisas nesse lugar, clique aqui!
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
segunda-feira, 26 de abril de 2010
4am

Você se foi,
Eu fiquei,
Eu fiquei?
Não sei...
Não sei onde estou,
Não sei onde você está,
Não sei onde estamos
Nós estamos?
Não tem mais a gente.
Agora somos dois.
Somos dois?
Eu sou meio.
Eu fiquei,
Eu fiquei?
Não sei...
Não sei onde estou,
Não sei onde você está,
Não sei onde estamos
Nós estamos?
Não tem mais a gente.
Agora somos dois.
Somos dois?
Eu sou meio.
P.s.: Agora o Henrique tem seu próprio Blog, é só entrar e ficar à vontade!
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Sou de Brasília, mas juro que sou inocente!


Me desculpe
O primeiro encontro
A fala mansa quase muda
A falta de jeito
O suor das mãos trêmulas
O desvio do olhar
O coração disparado
O riso bobo
O beijo
Os encontros contínuos
A troca de alianças
O sim diante do altar
A convivência
A intimidade
As semelhanças
As diferenças
A rotina
A impaciência
A frase áspera
A provocação
A falta de cordialidade
O mal humor
A distração
A infantilidade
A insistência
A estupidez
Minha ausência
Minha carência
Minha demência
Minha desconfiança
O grito seco
O desrespeito
A covardia
O arrependimento
A mala feita
As lágrimas secas
O desespero
A separação
A reparação
A partida
O Adeus
(Camila A. Borges)
PS.: Tenho o privilégio de ver esse pôr-do-sol quase todos os dias.
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Camila
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Fúria e Coração
Será que ninguém vê
Éramos bem mais que isso?
Bem mais do que sobrou aqui?
Éramos mais que o grito, o corpo, a indignação
Tínhamos fúria, pecados, vontades
Íamos mudar o mundo, ditar nossas regras
Mas e agora, o que fizeram de nós?
Jogam-nos as sobras, o pouco, o satisfatório
Fazem-nos engolir a seco, a fome, a mentira, a falta
Deixam-nos fracos, sem coro, sozinhos
Abafam nossos gritos, nos compram
Querem-nos domesticados, calados
E nós aceitamos: nos calamos, nos corrompemos, omitimos, ficamos cegos
Mas eu ainda espero pelo cavaleiro utópico que um dia andou por aqui
Espero pra o ver anunciar, que virá um tempo em que seremos fúria e coração de novo.
(Marina Borges)
P.s.:Foto do Grande Chico Science, um dos maiores cantores e compositores do mundo. Um cara que cantou o Brasil de forma única.
P.s.2: "Você que está aí sentado, levante-se. Há um líder dentro de você, governe-o, faça-o falar."
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
domingo, 28 de março de 2010
Dia-de-Romance!

Numa rua qualquer,
num muro qualquer,
eu-você, nada mais...
nossos corpos, um só.
Seu beijo quente me atiça.
Tudo é voce!
Depois, você vai embora
tudo para.
Todo dia é segunda.
Eu, todos os dias sou segunda.
Aí chega o sábado...
Tudo cria vida!
Tudo é balada!
É carnaval em recife!
Mais um dia com você.
num muro qualquer,
eu-você, nada mais...
nossos corpos, um só.
Seu beijo quente me atiça.
Tudo é voce!
Depois, você vai embora
tudo para.
Todo dia é segunda.
Eu, todos os dias sou segunda.
Aí chega o sábado...
Tudo cria vida!
Tudo é balada!
É carnaval em recife!
Mais um dia com você.
P.s.: Foto do carnaval de Recife, o melhor carnaval do mundo.
Escrito.Indagado.Proferido.Declamado.Aclamado por
Marina
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