domingo, 6 de junho de 2010

Título



Ainda sujos, acendo o décimo cigarro.Você prefere o uísque que achou no fundo de um velho armário. Olhando para o teto, discutimos cinema, música, filosofia. Tento te convencer do anarquismo. Você me fala sobre almodovar. Acho que nem em dez anos te conheceria tão bem quanto te conheço agora. Nós dois, aqui, nesse quarto de hotel, parecendo dois marginais. Rindo do mundo. Rindo dos que pensam que são felizes. Rindo da fatalidade que é viver. Percorro teu corpo, afim de te encontrar. nos teus pulsos vejo as cicatrizes da tua história, marcas de quando ainda se podia ser inocente. Você se esconde em mim. Dentro de mim. Conto as horas em cada gota de suor que escorre do teu rosto. Nossos rostos. Nossas bocas. Nossos corpos. Nada nos pertence mais, fazemos parte de uma abstração do tempo, um sopro pincelado num quadro daqueles que você sempre gostou, e eu nunca dei tanto valor, me fecho em magritte. As horas continuam a passar em meio ao desejo. Desejo, posso senti-lo, posso até tocá-lo.Você sabe que eu gosto dessa jaqueta, você só a vestiu para me provocar, o seu hálito de uísque faz tanto efeito quanto o seu olhar, eu realmente poderia passar dias tentando desvendar o que existe por trás deles. Entre nós não existe MAIS e MENOS , ou pelo MENOS é isso que eu tento demonstrar enquanto rio das suas peripécias tão MAIS interessantes que as minhas. Sentada à beira da cama, percorro com os olhos o lençol de renda. Te fito. Sinto uma saudade do que ainda nem fizemos, do que ainda nem dissemos a me consumir, agora que você não é mais meu. Vou até a janela, garoa lá fora. Um frio me arrepia à espinha. Acendo o ultimo cigarro da carteira, tomo a ultima dose pra me manter aquecida. Tenho um longo caminho até chegar em casa. Até lá vou tentando esquecer a cota do dia de você.


(Alba Tereza & Marina Borges)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Suspiro de conto!

Naquele dia, o caminho da sala até o quarto nunca pareceu tão longo. A escada nunca teve tantos degraus. O tempo nunca passou tão devagar. Havia ali, no ar, qualquer coisa. Qualquer coisa diferente no olhar dele. Qualquer coisa diferente naquelas mãos, frias. Qualquer coisa diferente no jeito como ele se sentou na beradinha da cama, como se ele estivesse numa casa estranha e por respeito não se espalhou por ela. O tom de voz que ele escolheu, eu diria que foi, no mínimo apropriado, algo que lembre aquelas cenas dos filmes de suspense, quando a gente sabe que a qualquer momento a gente vai levar um susto. Era aquela voz, a mesma voz que ele usou pra me dizer que sem querer quebrou o vaso que a minha mãe havia me dado, e que, por coincidência, ele sempre achou um horror. Sentei naquela cama e sentia meu coração batendo frenéticamente a uns 200 batimentos por minuto. Segurei sua mão e o encarei. Ele levantou a cabeça, mas não conseguia me olhar, olhou o tempo todo para o meu pé, mais especificamente pra pantufa de zebra que ele me deu no meu aniversário e que eu usava só pra agradá-lo, já que me sentia num safári quando estava com elas. Apertei com força sua mão e disse que não precisava ter medo e que podia me contar o que fosse. Quando ele disse as primeiras frases “Eu não te amo mais.”, ”Eu estou saindo de casa”, “Eu amo outra pessoa”. Senti como se um cavalo tivesse dado um coice no meu estômago e depois sapateado em cima mim. Perguntei como era possível, assim do nada, ele deixar de me amar? Não haviam aparecido ainda os tais ‘sintomas do fim da relação’ que minhas amigas sempre me falaram: nada de rotina, nem tédio, ele nunca nem falou mal da minha mãe, não reclamou que eu tava ficando gorda ou feia ou velha, nunca falou que minha comida era uma gororoba, apesar de ser uma gororoba. Como de uma hora pra outra ele simplesmente vira pra mim e diz que não me ama mais? Ele não se defendeu nem se explicou, apenas levantou-se, tirou a mala já pronta debaixo da cama. Sim meus caros, a mala já estava ali pronta, filho da puta, então foi tudo premeditado, tudo friamente calculado. Ele saiu, não olhou pra trás nem pra conferir se eu tava tendo um ataque cardíaco, ou se eu tava pegando uma arma na gaveta da cômoda. Nada. Virou as cotas e saiu. Fiquei ali sentada por horas. Chorei até ficar sem lágrimas. Me perguntando o por que. Estávamos juntos havia muito tempo, um tempo suficiente para sabermos que era pra sempre, não pensavamos em casamento, dizíamos que seriamos eternos namorados. Eu sabia de cor, cada mania, cada gesto, cada ruga do seu belo rosto, sabia de todas as cicatrizes, dos seus gostos mais exóticos. Tudo. Éramos felizes. EU era feliz. ELE não.


Marina Borges

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Máquina de Escrever - Pedro Luís e a Parede





Meu coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões
Pra ler um verso, ouvir, escutar
Meu coração falar
Até se calar a pulsação
Meu coração é uma máquina de escrever
No papel da solidão
Meu coração é
Da era de Guttemberg
Meu coração se ergue
Meu coração é
Uma impressão
Meu coração
Já era
Quando ainda não era
A palavra emoção
Mas há palavras no meu coração
Letras e sons
Brinquedos e diversões
Que passem as paixões
Que fiquem as canções
Nos poemas, nos batimentos
Das teclas da máquina de escrever
Meu coração é uma máquina de escrever
Ilusões
Meu coração é uma máquina de escrever
É só você bater
Pra entrar na minha história

domingo, 16 de maio de 2010

Aonde anda a minha Tereza...




Por enquanto ainda te amo
sentanda nessa mesa, só, ainda te amo
ontem eu olhei para o céu
e não vi estrelas
mas ao contrário do que você me disse
o céu não desabou
os raios estavam lá
as nuvens estavam lá
mas mesmo assim, teimoso, o céu não desabou
você me disse pra não ter medo
e com o orgulho no chão, te pedi pra ficar
e com a alma na mão, pedi ao céu que não desabe mais.


(Marina Borges)


P.s.: Essa semana comprei um vinil lindo do Jorge Ben Jor e por um precinho ótimo!
P.s².: Música do Jorge Ben pra hoje, Alcohol.
P.s³.: Agora ando aspirando e suspirando algumas coisas nesse lugar, clique aqui!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

4am


Você se foi,
Eu fiquei,
Eu fiquei?
Não sei...
Não sei onde estou,
Não sei onde você está,
Não sei onde estamos
Nós estamos?
Não tem mais a gente.
Agora somos dois.
Somos dois?
Eu sou meio.
P.s.: Agora o Henrique tem seu próprio Blog, é só entrar e ficar à vontade!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sou de Brasília, mas juro que sou inocente!






Me desculpe

O primeiro encontro

A fala mansa quase muda

A falta de jeito

O suor das mãos trêmulas

O desvio do olhar

O coração disparado

O riso bobo

O beijo

Os encontros contínuos

A troca de alianças

O sim diante do altar

A convivência

A intimidade

As semelhanças

As diferenças

A rotina

A impaciência

A frase áspera

A provocação

A falta de cordialidade

O mal humor

A distração

A infantilidade

A insistência

A estupidez

Minha ausência

Minha carência

Minha demência

Minha desconfiança

O grito seco

O desrespeito

A covardia

O arrependimento

A mala feita

As lágrimas secas

O desespero

A separação

A reparação

A partida

O Adeus

(Camila A. Borges)

PS.: Tenho o privilégio de ver esse pôr-do-sol quase todos os dias.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fúria e Coração



Será que ninguém vê
Éramos bem mais que isso?
Bem mais do que sobrou aqui?
Éramos mais que o grito, o corpo, a indignação
Tínhamos fúria, pecados, vontades
Íamos mudar o mundo, ditar nossas regras
Mas e agora, o que fizeram de nós?
Jogam-nos as sobras, o pouco, o satisfatório
Fazem-nos engolir a seco, a fome, a mentira, a falta
Deixam-nos fracos, sem coro, sozinhos
Abafam nossos gritos, nos compram
Querem-nos domesticados, calados
E nós aceitamos: nos calamos, nos corrompemos, omitimos, ficamos cegos
Mas eu ainda espero pelo cavaleiro utópico que um dia andou por aqui
Espero pra o ver anunciar, que virá um tempo em que seremos fúria e coração de novo.


(Marina Borges)





P.s.:Foto do Grande Chico Science, um dos maiores cantores e compositores do mundo. Um cara que cantou o Brasil de forma única.
P.s.2: "Você que está aí sentado, levante-se. Há um líder dentro de você, governe-o, faça-o falar."

domingo, 28 de março de 2010

Dia-de-Romance!


Numa rua qualquer,
num muro qualquer,
eu-você, nada mais...
nossos corpos, um só.
Seu beijo quente me atiça.
Tudo é voce!

Depois, você vai embora
tudo para.
Todo dia é segunda.
Eu, todos os dias sou segunda.

Aí chega o sábado...
Tudo cria vida!
Tudo é balada!
É carnaval em recife!
Mais um dia com você.

P.s.: Foto do carnaval de Recife, o melhor carnaval do mundo.

da serie: só faz sentido pra mim




Eu vi eles cortarem feito retalho um coração
Imponente
Vivo
Vermelho
Meus pés sangraram à beira da estrada
E meu caminho se pintou de cor
Toma pra si as dores
Sente o que sinto?
O que tu sentes?
Sentimos?
Ainda se pode colorir de esperança
Ser só e estar só, não é o mesmo
Levanta
Imponha
Anuncia que a revolução vai chegar
Estendam os braços,
Olhem para o céu,
Abram os olhos, não há o que temer
Colocarei enchimento de amor
E remendarei vossos corações
Aqui não impera a solidão.

(Marina Borges)

P.s.:  Quentin Tarantino, Pulp Fiction

sábado, 13 de março de 2010

A semana...

Último show da banda Cordel Do Fogo Encantado em Brasília.


Praia Azeda- Búzios